terça-feira, 1 de abril de 2008

CARTA DE APOIO.

Aos colegas da Defensoria

A eleição que se aproxima, para compor a lista tríplice a Defensor Público-Geral, enseja-me sair temporariamente do ostracismo a que me recolhi nos últimos anos. Ao menos por ser seu mais antigo agente no serviço ativo, sinto-me legitimado, a propósito do episódio eleitoral – mas também em função dos recentes acontecimentos, envolvendo a votação do veto da Governadora ao projeto que nos concedia os subsídios –, a prestar aos colegas mais novos, o testemunho de quem acompanhou a instituição, em todo o caminho até aqui percorrido na sua árdua construção. E para lembrar – isto também serve para os menos modernos, acaso disso esquecidos – quem foram, dentre nós, os maiores responsáveis pelos avanços que, a duras penas, fizemos nesta epopéia de mais de vinte anos. E é por isso que, desde logo, adianto meu voto – meu único voto, aliás – para o pleito que se avizinha, que será dado para a colega Cleomir Carrão. E me-é muito fácil e gratificante expor os motivos da indicação que ora torno pública.


Já tive a oportunidade alhures, em outro enfrentamento eleitoral, daquela feita para nossa Associação, de recordar a uns – e informar a outros – que, naquele momento, tratava-se de um embate entre dois projetos para a Defensoria; e isto se renovou, depois, em 2006, quando da primeira eleição visando a escolha de Defensor Público-Geral – e se repete, mais uma vez, também agora. Por isso, nunca é demais destacar: é de uma opção política que se trata, agora como antes, não de escolhermos colegas a partir de preferências pessoais – , por mais respeitáveis que sejam estas.


É que os Defensores Públicos gaúchos estão sendo convocados, novamente, a dizer qual a proposta de instituição que desejam para o futuro próximo – esta, que foi eleita dois anos atrás, e mostrou neste período a que veio realmente, fracassando redondamente no seu anunciado, e frustrado projeto de modernização; ou o resgate da plataforma, exitosa no passado recente, fruto da trajetória histórica de lutas de nossa categoria, lutas que resultaram na criação, na implantação e na afirmação da Defensoria em nosso Estado.


Por isso, para aqueles que, como eu, acompanharam e participaram, com maior ou menor grau de envolvimento, daqueles momentos –, seja para criar a Defensoria Pública, no processo constituinte, nos âmbitos federal e estadual; seja ao depois, para implantá-la e, por fim, fazê-la funcionar e, mesmo contra todos os obstáculos, torná-la presente e ativa no cenário das instituições essenciais à função jurisdicional de Estado –, é natural, e quase impositivo, apoiar a candidatura da Cleomir para exercer, de novo, o cargo de Defensora Pública-Geral.


Isto porque – e posso dizê-lo sem constrangimentos, pois naqueles primeiros tempos minha atuação foi a de simples coadjuvante –, ela já liderava, ao final da década de 70 do século passado, juntamente com outras valorosas colegas, algumas ainda atuantes, como é o caso da Nora Lavínia, outras já aposentadas, como a Tânia Cauduro, a iniciativa dos antigos Assistentes Judiciários para criar a Defensoria Pública, como instituição autônoma, encarregada da orientação e assistência jurídica aos cidadãos hipossuficientes, assim no plano nacional como no estadual.


Destes esforços, dos quais a Cleomir foi protagonista de primeira hora, resultou a criação do órgão nas Constituições que foram editadas em 88 e 89, e na primeira Lei Complementar Estadual, de 1991, de cuja redação o grupo por ela integrado foi encarregada. E, da mesma forma, em 1994, foi editada primeiro a Lei Orgânica Nacional, e depois em maio, a nova Lei Complementar Estadual, que adaptou àquela o anterior diploma estadual, permitindo assim que fosse, finalmente, instalada a instituição entre nós.


E não por outra razão, por aquela militância ativa e eficiente – à qual se somava sua atuação ativa no partido que havia ascendido ao Piratini, em 1990, e também junto aos movimentos sociais organizados –, foi escolhida ela então como primeira Chefe da Instituição. Aliás, já vinha se dedicando desde antes à tarefa de organizá-la, a partir do órgão embrionário, a extinta Unidade de Assistência Judiciária da PGE, aproveitando para tanto, não apenas seus colegas ex-Assistentes Judiciários, como também os demais colegas que ali atuavam e que, mercê das decisões judiciais adotadas com base no artigo 22, do ADCT, da Constituição de 88, nela ingressaram no período.


Na sua gestão, já dedicado então integralmente à função, sob o novo regramento institucional, fui convocado para integrar a primeira equipe de dirigentes do órgão, como membro eleito do Conselho Superior, e pude acompanhar de perto o trabalho incessante a que se dedicou no período, ao lado de colegas como a Nora Lavínia, Tânia, Schütz, e Nesy, entre outros. Colegas que também a acompanharam na trincheira de nossa Associação, nos quatro anos que se seguiram, nos quais o Rio Grande foi dirigido por Governo francamente hostil à Defensoria Pública, que não cabia em seu planos privatizantes –, e que somente não a esvaziou por completo, em face da resistência dos Defensores Públicos e, igualmente, das inúmeras decisões judiciais que lhe garantiram o efetivo mínimo para exercer suas atividades funcionais, apesar de todas as dificuldades.


Por isso, ao final de 1998, tendo tido a honra de ser escolhido pelo Governador Olívio Dutra, que acabara de ser eleito, para dirigir a Defensoria gaúcha, não hesitei em convidá-la para assumir a tarefa a meu lado, como Subdefensora Pública-Geral. Sua participação, assim como a da Nora Lavínia, que já era então Corregedora-Geral, foi essencial, não só para compor a equipe de trabalho, quanto também, ainda antes disso, para a preparação do plano para a instituição, que apresentamos, durante a campanha eleitoral, aos partidos que, vitoriosos no pleito, viriam a assumir o Governo. E, sobretudo, para realizarmos todas as atividades a que nos dedicamos exitosamente no quadriênio que se seguiu – , e que se constituiu, sem dúvida, no mais fecundo de nossa história.


Vale a pena destacar aqui –, pois parece conveniente a alguns tentar ocultá-lo –, entre os diversos programas e projetos que, naqueles ativos anos, estenderam e qualificaram nossos serviços à cidadania empobrecida do Estado, as três principais ações a que nos dedicamos então, e que resgataram os principais compromissos assumidos ainda antes de assumirmos, quais sejam: i) a realização do Iº concurso público para Defensor Público, o primeiro a ser realizado na área em mais de vinte anos; ii) a elaboração do Estatuto da Defensoria Pública do Estado, documento legal imprescindível à instituição, e cuja aprovação pela Assembléia Legislativa e posterior sanção pelo Governador do Estado, tem permitido, à maioria dos seus agentes, até os dias de hoje, a atenuação da injusta defasagem de vencimentos que sofremos ainda, mediante a percepção de gratificações antes inexistentes; e iii) a promoção para a classe final da carreira, há muito postergada, e cujas vagas nunca tinham sido antes preenchidas, represando assim sua movimentação.


Cabe lembrar que estes três movimentos foram simplesmente essenciais à sobrevivência de nossa instituição, e de nossa carreira. Sem o concurso, e as conseqüentes nomeações de cento e quarenta novos agentes, a Defensoria restaria condenada à morte institucional, pela aposentadoria induzida de seus agentes, sem a renovação do efetivo; sem o Estatuto, o fenômeno da transformação da carreira em passagem para outras (que infelizmente já vem ocorrendo) aprofundar-se-ia mais; e, por fim, sem aquela promoção, não seria possível desencadear-se o saudável processo de movimentação que se seguiu –, com a perpetuação de antigas situações de injustiça e de desestímulo à categoria.


Tais ações, como tudo que se faz na vida, foram obra coletiva, a começar, de um Governo que cumpriu o compromisso firmado ainda em campanha; e de todos os colegas (e servidores) que participaram daquela gestão. Mas convém recordar que a iniciativa em planejá-las e executá-las teve responsáveis maiores e diretos, e não terei a falsa modéstia de excluir-me dentre os mesmos – pois, afinal, era minha a responsabilidade administrativa maior pelo que envolvia a administração da Defensoria naquele mandato. E, justamente por coordenar aqueles esforços coletivos, posso atestar que a participação protagonista da Cleomir – ao lado da Nora Lavínia, da Tânia, da Virgínia, da Ana Marisa, e de tantos outros colegas e servidores –, foi fundamental para que fossem tão bem sucedidos.


Sua atuação, em especial, na direção da Comissão de Concurso, foi decisiva para que este certame, de dimensão e complexidade ímpares - para o qual inscreveram-se, inicialmente, quase 5000 candidatos –, chegasse a bom termo, malgrado as incidências e dificuldades habituais. Tanto assim que, na gestão seguinte, o novo Defensor Público-Geral, Dr. Luiz Alfredo Schütz, a encarregou de presidi-la novamente, na competição que foi então aberta –, e mercê da qual novos colegas ingressaram na carreira.


Votar na Cleomir, pois, significa legitimar com a confiança de seus pares, uma história de vida dedicada à Defensoria –, como militante social, na sua criação; como líder da categoria, nos períodos em que dirigiu a Associação que ajudou a fundar; e, principalmente, como administradora capaz e dedicada –, dotada que é de energia incomum, alimentada sempre pelo amor à causa institucional.


Mas implica mais do que chacelar as qualidades pessoais que a habilitam, neste momento difícil, para retornar ao comando da instituição: como dito antes, sua indicação – e sua esperada escolha – importariam na retomada de projeto político essencial à sua reorganização, orientada pela continuidade e expansão das ações das exitosas gestões de que, em passado recente, ela participou ativamente, visando, a um tempo, a ampliação e melhoria do atendimento à cidadania gaúcha empobrecida, e a imprescindível reconquista da dignidade funcional dos agentes encarregados desta tarefa prioritária.


Devo dizer, por derradeiro, que somente o apoio maciço da categoria em Cleomir Carrão poderia ensejar aos atuais Governantes que, mesmo constrangidamente, se redimam das reiteradas demonstrações de desapreço à Defensoria e aos Defensores Públicos do Estado, de que os recentes acontecimentos só foram mais uma prova eloqüente. Não há mais lugar para expectativas ingênuas, baseadas em parentescos ou afinidades partidárias frustradas: somente a força política de uma categoria engajada poderá fazer recuar os obstáculos à afirmação da instituição, e ao respeito a seus agentes – a começar, pelo resgate de suas mais legítimas lideranças.


É o que espero de meus colegas no dia 4 de abril.


Carlos Frederico Barcellos Guazzelli

9 comentários:

Anônimo disse...

belissima exposição.

Anônimo disse...

Isso sim É TER MEMÓRIA! É por conhecer a história, pela boa conduta, pela ética, pela bondade, pela humildade, pelo carisma, pela inteligência, pela honra e pela capacidade que Voto na Chapa 03. Me permita chamar de Chapa, porque não está apenas a Dra. Cleomir. Está uma idéia que é apoiada pelo querido Dr. Guazzelli, pela Dra. Virginia, Dra. Nora, Dra.Tania, Dr. Saulo, Dra. Daniela, Dra. Silvia, Dr. Felipe, dentre tantos valorosos colegas! Acredito em vcs!

Anônimo disse...

Sem comentários. Meu voto é teu!

Anônimo disse...

E AGORA CLEOMIR. NÃO ADIANTE TU SER A MAIS VOTADA, OU A MENOS, SE A YEDA TEM SEU BOI DE PIRANHA ESCOLHIDO, CONTRA QUEM TUDO CONSEGUIU ATÉ AGORA! CONSEGUIU DERRRUBAR O ORÇAMENTO! CONSEGUIU DERRUBAR A VERBA DE REPRESENTAÇÃO! CONSEGUIU DERRUBAR O SUBSÍDIO! ELA VAI ESCOLHER OUTRA, MAIS FORTE E COMBATIVA, PRA QUE? SÓ SE FOR LOUCA. É LUTA PERDIDA! TE LIGA!

Anônimo disse...

Emocionante a exposição do Guazzelli.
Tomara que os colegas leiam e conheçam um pouco da história da Defensoria, pois muitos dos eleitores da outra candidata têm ela como a salvadora, quando o contrário está bem mais próximo.

Anônimo disse...

Parabéns, Cleomir, por acreditar na legitimidade e na força do movimento de paralisação. Após a tarde histórica na Assembléia, com parlamentares cobrando o governo acerca da negociação do subsídio,vemos que o "canal de negociação" está,efetivamente, aberto. Ah, e o Biolchi confirmou publicamente o que se sabia "nas cocheiras": negociação, só após as eleições.

Felipe Facin Lavarda.

Anônimo disse...

Todos deveriam ler atentamente esse manifesto: Sincero e Verdadeiro. Demonstra que quem tem memória votará 3 na urna eletrônica. Votará Cleomir. Votará pela sua história de luta e perseverança.

Anônimo disse...

resumo da eleição. todos novos deveriam ler também

Anônimo disse...

O importante é ser, crer e existir. Nós somos defensoria, cremos na defensoria e existimos como Defensoria. Esta a nossa força.Venceremos, hoje ou amanhã. O certo é que a vitória é nossa.Cleomir, Nora, Virginia, Autonomia, aguardo pelo sucesso de nossa tese, de nossas opções e, neste cenário, de nossa Defensoria. Tânia.